Bancárias e bancários vão às ruas em defesa do emprego e contra o fechamento de agências.
Às vésperas da mesa de negociação com a Fenaban, categoria realiza dia nacional com atividades em várias cidades do país

A categoria bancária realizou, nesta segunda-feira (6), em diversas cidades do país, um dia nacional de mobilização contra a precarização do emprego bancário. As atividades foram realizadas no dia que antecede a segunda rodada de negociações da Campanha Nacional das Bancárias e dos Bancários 2026, para a renovação da Convenção Coletiva de Trabalho (CCT), quando Comando Nacional levará à mesa com a Federação Nacional dos Bancos (Fenaban) reivindicações contra demissões e fechamento de agências bancárias.
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Entre 2015 e 2025, os bancos eliminaram quase 88 mil postos de trabalho no setor. No último ano desse período, entre 2024 e 2025, categoria perdeu cerca de 8 mil vínculos de trabalho.
A categoria bancária também aponta para a drástica queda no número de agências. Entre janeiro de 2015 e maio de 2026, foram fechadas 9,5 mil unidades. Só em 2026, até maio, foram encerradas 941 agências.
"Esse movimento de demissões e fechamento de agências em massa acontece ao mesmo tempo em que os bancos seguem registrando altos índices de lucros. Só em 2025, os cinco maiores bancos do país lucraram juntos R$ 124 bilhões de reais", destaca a coordenadora do Comando Nacional dos Bancários, Juvandia Moreira.
A dirigente chama a atenção também que os bancos estão na contramão do mercado de trabalho, como um todo, e do próprio setor financeiro, onde estão inseridos, e que vêm apresentando crescimento no número de postos de trabalho e de unidades de atendimento. "A partir de 2023, o país voltou a crescer e, desde então, passou a bater recorde após recorde nos níveis de carteira assinada, de pessoas ocupadas e na queda da taxa de desocupação", explicou Juvandia Moreira.
Diante desses dados, o movimento sindical avalia que a intensa reestruturação em curso no setor bancário não está relacionada a riscos de mercado enfrentados pelas empresas, mas sim a uma estratégia comercial voltada para a ampliação dos serviços digitais e a priorização do atendimento ao público de alta renda. Essa estratégia ocorre em detrimento dos trabalhadores e da população em geral, que passam a ter menos acesso a um atendimento presencial e humanizado.
Entre as reivindicações relacionadas ao emprego que a categoria irá levar para a mesa de negociações com a Fenaban nesta terça-feira (7) estão:
- Garantia de emprego: proibição de demissões em massa e fim da rotatividade injustificada.
- Proteção nas reestruturações: mudanças por fusões ou tecnologia devem ser negociadas antes com o movimento sindical.
- Fim da terceirização: quem faz atividade bancária deve ser reconhecido como bancário, com todos os direitos da categoria.
- Tecnologia com proteção: criação de comissão para acompanhar a automação e impedir vigilância abusiva.
- Agências digitais também são bancos: direitos iguais e jornada regulada para quem trabalha em escritórios digitais.
- Mais contratações: número adequado de funcionários para reduzir filas, a sobrecarga e o estresse.
- Qualificação e inclusão: incentivo à formação de mulheres na TI e processos seletivos sem preconceito de raça, gênero ou idade.
- Fim do fechamento de agências.


